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quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Olho-me

Olho-me no meu espelho espelhada
E apenas vejo o meu reflexo difuso
Mas sinto que também sou olhada
O que torna tudo ainda mais confuso.

Olho intensamente mas não vejo nada
A não ser esta personagem que uso
Mas sinto a minha alma ser abusada
Por este olhar estranho que eu recuso.

E invadem-me o pensamento
Sem que eu desse autorização
Por instantes, por um momento

Sei que sou motivo de observação
Mas continuo neste meu tormento
De ninguém me ver realmente o coração.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Concurso "Talentos Fantásticos"


Quem visita este nosso cantinho, rapidamente descobriu que sou admiradora do fantástico e do oculto. Assim, e para todos os amantes deste género, quero divulgar o concurso levado a cabo pela editora Edita-Me que, está a organizar o seu primeiro concurso direccionado para o "Fantástico", nas categorias de:


- Conto
- Poesia
- Ilustração


Deste concurso, nascerá o primeiro livro da Edita-Me subordinado ao tema, com os trabalhos concorrentes.
Se tem mais de 16 anos, concorra com o seu original até ao dia 30 de Setembro.
Os vencedores, um em cada categoria, serão anunciados no dia 31 de Outubro (Dia das Bruxas), numa "Costume Party", que ocorrerá em local a anunciar brevemente.
Para que possa participar e obter mais informação pode consultar o regulamento em

Participem!

segunda-feira, 27 de julho de 2009

A Bruxa

A bruxa olhou-se ao espelho. E observou aquilo que os seus olhos esmeralda conseguiam alcançar. Sabia que não era encantadora como as suas primas fadas, nem possuía o mistério das amigas elfo, que percorriam os bosques em busca de Humanos para prender nos seus olhares profundos. Porém, possuía uma aura que apenas alguns, muito poucos, conseguiam perceber e desvendar no meio do seu sorriso.O seu olhar era límpido, o seu sorriso aberto e, ao contrário do que a mitologia lhe reservara, tinha um coração bondoso que se partia com as lágrimas derramadas por qualquer Ser, mágico ou não.
Gostava de se olhar ao espelho...voltara a gostar de se olhar ao espelho. Durante muito tempo, demasiado tempo, não fora capaz de observar o seu reflexo por não conseguir assumir a sua pele de bruxa. Levara bastante tempo a aceitá-lo. Mas finalmente fizera-o e agora sentia-se orgulhosa dele.
Às vezes, olhava as primas fadas, lindas, singelas e desejava, por momentos, ser como elas. Outras, prendia o olhar nas sedutoras elfo e ansiava adquirir aquela capacidade de encantamento que os seus olhares emanavam, sucumbindo os mais poderosos seres aos seus pés.Mas ela era apenas uma bruxa, uma bruxa sem qualquer especial condição… a não ser a do conhecimento. Sabia que o seu poder residia na sabedoria ancestral que arrecadara das velhas anciãs e dos livros escondidos no canto mais obscuro da floresta. Com eles, aprendera a conhecer as plantas, a ouvi-las falar, a ler-lhe as cores, a interpretar os seus sinais...e a juntá-los concebendo poções e feitiços. E assim, juntamente com o facto de ter chorado três vezes no ventre da sua mãe, tornara-se numa bruxa, ficando fadada com os poderes sobrenaturais que agora tanto prezava e assumia como a sua maior riqueza.
Para a Susn F. pelo apoio e pela busca de projectos comuns

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Metamorfose

Metamorfose, Elisabete Da´Silva, óleo s/tela
Vejo-me ao espelho e não sei quem sou
Mas sei exactamente quem desejo ser
Palmilho caminhos por onde não vou
Sinto dores que não quero ter.
Vejo-me ao espelho e perco-me do olhar
Porque nele já não posso ver
O amor que tenho para dar.
Vejo-me ao espelho e perco-me na ausência
De tudo o que já tive
E apelo para que a prudência
Solte o que em mim ainda vive.
Vejo-me ao espelho e sinto-me perdida
Por saber quem quero ser
E só quero a minha vida
De volta para eu viver.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Paz...

Flor- das- almas (díptico), Elisabete Da'silva


Estão presas as minhas mãos
Nas perguntas do que é passado
Enchem-me a alma de sonhos vãos
Pelo amor ainda tão desejado.

Imagino sonhar sonhos sãos
E mantenho tudo fechado
Preso nos meus versos vãos
Onde só paira o meu passado.

E procuro nas palavras a sanidade
Para não me perder de onde vim
Imersa na sombra da saudade

Nas palavras encontro-me a mim
E à minha nova identidade
E …estou em paz por fim.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

A mulher mais bonita do mundo



João está pronto para dormir e a mãe, como todas as noites, aconchega-lhe a roupa e dá-lhe um beijo na testa.
- Mãe, porque tens o cabelo tão branco? – perguntou o petiz, passando a mão no cabelo daquela que lhe era tão querida.
A mãe sorriu docemente e afagou-lhe o rosto.
- Lembras-te de quando tiveste varicela?
O pequeno acena que sim com a cabeça, fazendo uma careta ao lembrar-se das altas temperaturas que tivera.
- Passei noites seguidas a olhar por ti, sem dormir, quase sem comer… só tranquilizei quando a febre baixou. Quando olhei para o espelho, o meu cabelo estava assim.
O silêncio pairou no quarto e, sempre sorrindo, a mãe levantou-se para que o menino pudesse dormir.
- Mãe… - sussurrou ele segurando-lhe as mãos, notando que estas eram ásperas e calosas, não muito agradáveis ao tacto – porque tens as mãos tão ásperas?
Mais uma vez a mulher sorriu docemente.
- Sabes, a roupa que tu usas, a comida que tu comes, o teu computador, os teus brinquedos, os teus livros… - calou-se por breves momentos – tudo isso custa dinheiro e para ganhar dinheiro eu tenho de trabalhar… mas trabalhar… - riu-se, aconchegando-lhe os cobertores - … trabalhar faz calos! Vá lá João, já é tarde. Agora tens de dormir!
Mas o João não estava cansado e ainda tinha muitas perguntas para fazer.
- Mãe – insistiu – porque tens tantas rugas? – a mãe suspirou, denotando que estava a ficar cansada mas nunca deixou de sorrir.
- Filho – começou ela sentando-se mais uma vez na beira da cama – Lembras-te de quando estiveste doente? Lembras-te das vezes que caíste? Lembras-te das vezes que choraste por não saberes fazer o trabalho de casa? Lembras-te de tudo isto?
O petiz abanou, com ar surpreso, a cabeça recordando-se de todas as horas difíceis da sua curta vida e como, em todas elas, a sua querida mãe, havia estado presente.
- Pois bem – continuou ela – cada uma destas preocupações resultou numa das rugas que tu vês no meu rosto.
O pequeno calou-se e olhou mais uma vez aquele rosto com ar fatigado, pegou-lhe nas mãos e olhou-as com cuidado, observando por último, o cabelo embranquecido.
- Parece que só te trouxe desgraças… - murmurou ele sentindo as lágrimas vidrarem-lhe os olhos – se calhar, não devia ter nascido…
- Não digas isso! – apressou-se a mãe em interrompê-lo com aquele ar sério que ela tinha sempre que o repreendia por alguma asneira que havia feito – Tu és o meu mundo! a minha razão de existir! Vês esta luz que trago no meu olhar?
O pequenito olhou aqueles olhos profundos e pela primeira vez reparou na luz que irradiavam deles. Pareciam que mil e uma estrela brilhavam lá dentro.
- Ganhei este brilho nos olhos no dia em que descobri que estava grávida. Vês o meu sorriso nos lábios? O teu pai diz que ele parece constante. E é verdade. Porque em todos os momentos, estou a pensar em ti… e a tua existência traz-me uma felicidade que nunca conheci – calou-se acariciando-lhe os cabelos – É verdade que trabalho imenso, mas nunca me senti tão realizada porque sei que tenho um objectivo na vida: ajudar-te a crescer.
O João olhou aquele rosto cansado e os seus lábios abriram-se num riso largo.
- Sabes, mãe? – disse abraçando-a com força – és a mulher mais linda do mundo.



Um post diferente do que é habitual em mim...um conto infantil que escrevi para a pessoa mais importante da minha vida ...

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Vazia

imagem retirada da net


Estão vazias as minhas mãos
De tudo o que mais prezo
Enchi-as de tantos nãos
E daquilo que mais desprezo.

Tenho saudade de afectos sãos
E da rima do meu verso
Só sinto sentimentos vãos
E palavras que já não converso.

Fecho os olhos ao caminhar
Por este trilho perverso
Na esperança de trilhar
Um caminho totalmente inverso.

E a alma permanece vazia
De ilusões e do sonhar
E vai tornando-se fria
Perante os que me querem amar.

E vejo a palma das mãos
Sem capacidade de ousadia
Estou cansada de só dar “nãos”
Quero que a alma me sorria…

segunda-feira, 9 de março de 2009

Sonho


Fechei os olhos e perdi-me
Na bruma de um devaneio
Fechei os olhos e toquei-me
Perdida no meu anseio

Fechei os olhos e senti-me
Contigo perdido no meu seio
Fechei os olhos e vi-me
Perdida no teu meio

As minhas mãos ousaram
Percorrer caminhos que eram teus
E que as tuas mãos amaram

Soltei gemidos só meus
Porque por agora acabaram
Mas continuam a ser teus.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Caminho...


Perdi-me do meu caminho. Ou talvez o meu caminho se tenha perdido de mim.
O estranho é que sei exactamente qual é a estrada que eu quero percorrer…simplesmente não sei que carreiros palmilhar para a encontrar.
Sei exactamente para onde quero ir e como quero ir…simplesmente não sei que veredas poderei transpor para chegar a tal lugar.
Sei exactamente o que quero. Só não sei como o conseguir.
Perante mim, deparam-se inúmeras portas que me vedam o acesso ao percurso que quero alcançar. Não sei como as abrir. Umas porque me permanecem vedadas; outras, porque não sei que chave usar para as abrir; outras, porque são demasiadamente pesadas para as minhas parcas forças…
Houve uma ou outra porta que me conduziu pelo caminho que idealizei…mas a determinada altura, houve um qualquer obstáculo que se entrepôs no meu percurso e me obrigou a um regresso amargo até ao ponto de partida…
E cá estou eu, de novo, no cimo da minha rocha, resistindo a ventos e a tempestades, como se fosse inabalável, sendo admirada pela força que de mim emana. Mas quem me olhar de perto, quem tiver a capacidade de me ver a alma, vê que ela se vai quebrando, tempestade após tempestade…
E um dia, ou encontro o meu caminho…ou cairei da minha rocha, desfeita em pedaços irreparáveis, para surpresa de todos…

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

De costas voltadas


Os meus sonhos divagam em surdina
Por caminhos que te imagino percorrer
Perdi-me no meio da minha sina
Imaginando sítios onde te vou ver.

Imagino teu sorriso que me domina
E sinto do meu olhar a chover
Uma luz que os meus olhos ilumina
Tudo aquilo que me é interdito ter.

E permaneço de costas voltadas
Não sei muito bem para o quê
Procurando manter as portas fechadas.

Só ouço o que a razão por mim vê
E permaneço de costas voltadas
Mesmo sem perceber o porquê.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

De malas aviadas


Recomeçar…ou melhor, começar de novo…
Parece-me um bom mote para um novo ano que agora nasce e que, como em todos os outros Novos Anos, tem o dom de nos encetar a alma de novas esperanças e de inúmeros projectos a que damos início.
De malas aviadas não é um projecto novo. Foi algo que começou há uns tempos atrás, resultado de uma profunda amizade, onde os encontros e desencontros dos nossos sentidos eram narrados. Mas, por motivos que apenas as nossas almas cruzadas conseguem perceber, os nossos encontros virtuais passaram a ser trocados apenas entre nós e confinados a um baú de confidências.
Porém, a necessidade de registar o que a nossa alma e a nossa imaginação encerra é imensa e todas nós desejamos voltar a pintar as palavras e as cores da nossa percepção do mundo.
Continuamos em viagem. Sempre de malas aviadas para inúmeros locais - uns imaginários outros nem tanto - onde cruzamos caminhos e estradas que, mais cedo ou mais tarde, nos levam sempre a um lugar-comum: às nossas partilhas.
Este novo local, este novo (re)encontro, é um (re)começar , mas como em qualquer recomeço…tudo se inicia de novo…e nada será como antes.
É bom estar de volta…