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quinta-feira, 9 de julho de 2009

Metamorfose

Metamorfose, Elisabete Da´Silva, óleo s/tela
Vejo-me ao espelho e não sei quem sou
Mas sei exactamente quem desejo ser
Palmilho caminhos por onde não vou
Sinto dores que não quero ter.
Vejo-me ao espelho e perco-me do olhar
Porque nele já não posso ver
O amor que tenho para dar.
Vejo-me ao espelho e perco-me na ausência
De tudo o que já tive
E apelo para que a prudência
Solte o que em mim ainda vive.
Vejo-me ao espelho e sinto-me perdida
Por saber quem quero ser
E só quero a minha vida
De volta para eu viver.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Paz...

Flor- das- almas (díptico), Elisabete Da'silva


Estão presas as minhas mãos
Nas perguntas do que é passado
Enchem-me a alma de sonhos vãos
Pelo amor ainda tão desejado.

Imagino sonhar sonhos sãos
E mantenho tudo fechado
Preso nos meus versos vãos
Onde só paira o meu passado.

E procuro nas palavras a sanidade
Para não me perder de onde vim
Imersa na sombra da saudade

Nas palavras encontro-me a mim
E à minha nova identidade
E …estou em paz por fim.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Biografias cruzadas

Prisioneira de Mim, Elisabete da'silva

Estendo o chão da imaginação

e prendo-o com laços de palavras em vão

Adormeço na tela

a tempo de me vestires de emoção,


Se antes

não me rasgares

Se me olhares

Se fechares esse livro de moinhos de vento

Que a loucura transformava em gigantes

Em miragens de uma Dulcineia

Que não sou eu.


Deixa esse Rocinante e parte num cavalo alado

Vê-me desafiar a perfeição

neste meu chão tingido de sangue

por quem já partiu.

Do que restou eu invento tonalidades

Dependendo dos dias

Das vontades.


A homogeneidade não me pertence

A inconstância é que me vence

Hoje lavo o céu até ser de prata

Amanhã pinto este soalho que me mata

Depois entro no castelo onde me virás recolher

Se eu ainda quiser


Ontem seria talvez mais inteira se visses

Que até já tenho uma metade

Se calhar não me falta assim tanto…

Uma chave,

a verdade de saber que estás aí

a contemplar


a minha arte que é esta investida

Esta bela adormecida

Que me seguirá até ao fim.

Enquanto eu for prisioneira de mim.


quarta-feira, 20 de maio de 2009

Invisível

Tudo é foi, pastel seco s/ papel, Elisabete da'silva

É difícil arrancar-te um sorriso, para não ir mais longe, ao ponto de dizer que é impossível.

Posso. Ir. Ficar. Sair. Entrar.

O teu semblante é sempre o Mesmo.

Posso. Tentar ordenar todos os objectos pela tua ordem que é da direita para a esquerda e não da esquerda para a direita.

O resultado do teu semblante será semelhante. A menos que,

eu me engane e

cometa um erro, uma pequena falha. Aí todo o teu Ser entra em desordem e fazes questão de me dar a perceber.

Fico então eu, desordenada, desarticulada das minhas articulações e começo a diminuir, até ficar tão pequenina, quase invisível como o teu sorriso.

Nota relativa à escolha da imagem: Vemos, mas não sabemos como mostrar. Reconhecemos, mas damos a perceber da pior forma. Choramos, mas seguimos sempre em frente. É no regresso ao desmerecimento que nos despimos de nós e não queremos que nos sintam assim. Viramos as costas.


sexta-feira, 24 de abril de 2009

Viajando pelo Porto

Descer até à Praça da Ribeira é entrar numa das zonas mais antigas e belas da cidade do Porto. A vista para o rio Douro e as suas pontes, as casas típicas e as gentes ribeirinhas tornam este espaço único no mundo pela sua envolvência paisagística.

Dependendo do local de onde a observamos ou mesmo da forma como os nossos olhos a vêem, há quem a considere um local luminoso com as fachadas das casas coloridas a saudar o Rio Douro e outros há que a descrevem com tons escuros semelhantes às próprias águas do rio e à neblina que abraça constantemente a Praça. Sendo um lugar de contrastes no que diz respeito à luz é também um ponto de partida e de chegada de pessoas...


Após muitas deslocações no espaço e no tempo, finalmente estará por aí, principalmente nos circuitos turísticos, um novo Guia da Cidade do Porto, fruto de muito empenho de várias pessoas com muito talento e qualidades por descobrir.


Esta pequena amostra foi colorida com as cores da Elisabete da' silva e vivida com os meus olhos que a transformaram num escrito.