terça-feira, 29 de setembro de 2009

O Cenário

O conteúdo do cálice adquiriu o tom da toalha. Ela pegou nele e dirigiu-se para a beira da lareira. Retirámos os mantos e formámos um círculo à volta do cálice, sentadas no chão. Os nossos olhos viam agora um espelho de sangue onde era possível distinguir formas. Formas de homens e mulheres. Formas que se moviam com sensualidade e paixão. O que estava a acontecer na ‘Ilha dos Amores’ naquele instante era visto por nós atentamente. E lá estavam, misturadas com as ninfas, algumas vampiras de olhos vermelhos, que só os nossos olhos conseguiam reconhecer. Um cenário idílico repleto de leitos de nenúfares, essências de rosas e velas acesas espalhadas por toda a ilha.

Suspiravam elas e eles e suspirávamos nós por não termos conseguido os nossos intentos.

“Perdemos a única hipótese de nos tornarmos mais fortes do que esses vampiros que nos sugam a vida e que sugam a bondade dos Humanos. Agora resta-nos voltar ao nosso tempo, a tempo!” Foram as palavras da feiticeira dos olhos cinzentos que se fechou depois dentro do seu próprio silêncio.

(...)

Excerto do conto 'A Ilha Vermelha'

9 comentários:

Lord of Erewhon disse...

Eles andam aí... :)
Afinal estão de malas aviadas para onde?...

Beijinhos.

Susn F. disse...

Prefiro os que se contentam em sugar o sangue ;)

Somos nómadas. O destino é incerto.
De vez em quando lá nos vamos cruzando.
Ultimamente deixaram-me aqui sozinha :(
Uma está sem PC e a menina dos pincéis embarcou numa nova aventura :)

beijinhos

MADRUGADA... disse...

belo!

Ana Paula disse...

Escreves muito bem, Susn :))

Parabéns, pela beleza e frescura das palavras!

Um beijinho grande.

pin gente disse...

hum... aqui há muita coisa para descobrir!
volto...
beijo

ps - a imagem é inspiradora!

antonior disse...

O vermelho domina um mundo em que todos os símbolos possuem um significado, ou múltiplos.

Num mundo de vampiros, composto de sociedades humanamente organizadas (porque não?) o aparecimento de um de nós (os que o não são...) representaria uma ameaça real. Eles teriam medo de nós. Afinal poderíamos andar à luz do dia e destruí-los...

Um abraço

Susn F. disse...

Madrugada: Obrigada. :)

Abraço


Ana Paula: Adoro visitar-te e aprender com o que escreves. Obrigada por vires até aqui.

Beijinhos


Pin gente: E nas voltas vamo-nos cruzando por aqui. :)
beijinhos

PS. Esta imagem também me inspira, deve ser do tempo. :)

Susn F. disse...

Antonior: Mais uma vez aqui temos a luta pela sobrevivência dos mais fortes. Neste caso os vampiros só se alimentam de um tipo de sangue muito especial. São selectivos em relação às suas presas.

Em vez de os destruir, podíamos fornecer-lhes o alimentos que precisam para podermos conviver pacificamente. Uma autora que escreve sobre esta temática resolveu esta questão com umas garrafinhas de sangue sintético.

Um Abraço Antonior. Apareça sempre.

Lord of Erewhon disse...

Hum... cá para mim traz água no bico... :)